quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

sobre hepatite.

era hepatite, meninas.
era não, é.

primeiro desculpem ter sumido daqui. eu juro que não foi em nenhum momento minha intenção abandonar o blog, mas a vida meio que dificultou as coisas pra mim nos últimos dias. primeiro porque eu praticamente não tive privacidade em quase momento nenhum, sempre tinha gente comigo, me cuidando. e me vigiando, por que não? segundo porque nem se eu pudesse, ficar sentada em frente a um computador por um tempo razoável se tornou uma tarefa difícil. era muita tontura, enjôo e dor de cabeça pra conseguir escrever algo que fizesse sentido.

hepatite medicamentosa segundo a médica que cuida de mim. apenas vamos fazer de conta que o coquetel molotov de remédios que vinha tomando não têm nada a ver com isso. óbvio que não falei do ECA pra ela, e nem precisava, já me entupia de remédios pra outras coisas o suficiente pra causar o estrago do meu fígado, então deixemos esses detalhes pra lá, porque não preciso de ninguém pegando no meu pé por conta do meu emagrecimento.

durante esses dias, passei por todas as fases de um bom TA. na primeira semana, que foi a mais tensa, eu simplesmente não consegui comer nada. como disse no post antes de sumir, nem água o meu estômago segurava, teve dias em que cheguei a vomitar até a bile. quantas vezes tentasse comer, fosse um biscoito água e sal que fosse era quantas vezes eu enfiava a cara na privada. é claro, eu preciso confessar, como uma maluca sem noção do perigo, eu cheguei a gostar muito dessa fase. tava lá, quase morrendo (mesmo) e apreciando que finalmente não comia por não querer mesmo, e não simplesmente por TER QUE deixar de comer. ainda preciso confessar algo menos digno, nessa rotina de vomitar pra sempre, ainda cheguei a forçar vômito umas duas vezes após tentar comer, e antes mesmo da ânsia se manifestar, simplesmente porque não queria comida ali estragando o andar da carruagem. e porque já estava me habituando com aquela rotina. caí em mim a tempo e parei com a graça. aquela não era uma boa hora pra me jogar na mia de uma vez.

já na segunda semana, quando os sintomas foram amenizando, veio a compulsão. como eu preciso ficar em repouso no mínimo por um mês, eu passava o dia sem fazer absolutamente porcaria nenhuma da minha vida. não podia ficar no computador por muito tempo pra me distrair, então tudo o que me restava era ficar deitada assistindo tv, A PORRA DO DIA INTEIRO. como tv não costuma prender a minha atenção, eu só pensava em comida, sempre e pra sempre. e comia o dia inteiro. sério. compulsões respeitáveis. por um lado não era tudo um horror porque não posso comer gordura, de nenhum tipo, aí já me exclui um leque de comidas. mas mesmo assim, comer 2 pacotes de torrada integral numa tarde não ajuda ninguém. ou praticamente uma melancia inteira enquanto vê a novela. vocês me entenderam.
por outro, me empurraram doce goela abaixo. quem sabe um pouco sobre hepatite, sabe que um dos tratamentos que o povo adora dizer que funciona é você encher o cu de açúcar. então durante essa semana, a d.d. gorda foi muito feliz comendo pacotes e pacotes de bombons, balas de goma, leite condensado, etc etc. comi muito mes-mo, só me foi proibido chocolate (metade frustrada, metade aliviada). no começo por vontade própria, depois, quando a consciência começou a bater, por força dos outros. fiquei com nojo de leite condensado seriamente. na sexta um amigo veio me visitar e ficou abismado de ver a lata de leite condensado que ele tinha aberto pra mim na segunda ainda cheia. começou a encher o saco dizendo "quando eu tive hepatite, eu tomava uma lata dessas por dia! você não tomou nem em uma semana!", por favor, né. ainda argumentei que tava com medo de estar engordando e ele ainda me veio com a pérola "pode comer tranquila, que o doce que você comer agora não vai te engordar". não sei se rio ou choro dessa mentalidade dele.  pior foi ter colocado praticamente metade da lata pra mim, e não levantar do meu lado até eu ter acabado aquilo. e demorou.

também comi muito carboidrato. muito.

mas depois de dias de descontrole  alimentar, pareço estar voltando aos eixos. já cortei todos esses doces. o que eu comi em uma semana deve ter valido já pro tratamento todo. inventei que estou enjoada de comer bombons (minha sorte é que hepatite te faz enjoar muito rápido de gostos e cheiros) e proibi de me comprarem mais um pacote que seja. todo mundo chiou, disseram que estou dificultando  tratamento, mas não tem problema, o corpo é meu. em compensação continuo comendo muitas frutas, então não é por falta de açúcar que eu vou morrer.

como não posso nem sonhar em fazer algo mais radical nesses dias como LF e até NF (não quero voltar a piorar, e também... tá todo mundo de olho em mim), tenho tentado manter a dieta que fazia quando era acompanhada de uma nutricionista. um bom RA. é claro que não funcionou pra porcaria nenhuma na época porque depois de uns meses frustrada porque o emagrecimento era muito mais lento do que eu estou acostumada, larguei e engordei tudo de novo. mas é melhor do que nada. ainda tenho umas compulsõezinhas aqui e ali (reflexo da semana descontrolada ainda), mas vou me equilibrando como posso. até me sentir livre pra apertar mais o cinto.

não sei como estou de peso. sinceramente. não posso sair de casa pra me pesar, e a balança que comprei, o danado do meu namorado levou pra casa dele ("pra você não ficar neurótica"). então estou boiando. tirando as vezes que vou à médica, nunca mais usei roupa alguma senão pijamas, então nem posso medir através das calças. mas eu sinto que emagreci, mesmo com a compulsão. ter parado de comer gordura e refrigerante fez alguma diferença, mesmo com o bombardeio de doces. mas eu não quero ficar nos achismos. falarei de peso quando tiver como comprovar.

acho que fim do mês sou liberada pra voltar à vida normal, mesmo ainda continuando em tratamento. voltar a trabalhar, sair de casa, etc. vai melhorar muito a minha vida me ocupar e não ficar tão ociosa pensando em comida.

não vejo a hora de poder voltar a ter controle sobre meu corpo e minha alimentação de novo também.

eu apareço, meninas.

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(janna, não estou fora do desafio, não pense isso, viu? vou dar um jeito (não sei qual, mas vou) de me pesar no dia que ele termina. foram tantos altos e baixos, e eu devo ter sido a participante que mais deu trabalho, mas eu continuo junto. fraquejada, mas continuo, hein).