"O entorno é ótimo. Sou eu quem não presta. "
acabo de ler essa frase no último post da flor de lótus, que também não anda muito bem, e isso me deu uma pontada no peito tão forte, porque é e-xa-ta-men-te como me sinto. devia até dizer isso lá pra ela, mas eu realmente não tenho ânimo algum pra comentar decentemente nos blogs, e pra acabar escrevendo coisas desanimadoras, eu prefiro ficar quieta pra não atrapalhar.
ontem tive outro ataque daqueles. fui pra casa do meu namorado depois do trabalho, esperá-lo, que tinha ido com toda a família à solenidade de formatura do meu cunhado. não fui porque não daria tempo, e tal. acabei ficando lá sozinha, e isso não é novidade alguma pra mim. tomei banho, vesti pijama e fiquei lá na cama dele deitada, lendo. de repente me veio uma angústia terrível, e uns pensamentos malucos que me tiravam o ar. primeiro comecei pensando se meu namorado não havia avisado à família que eu estaria ali, e acabariam chegando, me vendo só, e ficando putos. absurdo, claro, meu namorado nunca deixaria de avisar, e além do que, nós já namoramos há uns quase 6 anos, e eu tô careca de frequentar aquela casa, eu sei que não seria nenhum absurdo me verem ali (apesar de que, não importa o tempo que passar, eu sempre tenho pânico/horror/pavor de ser vista como inconveniente), aquilo já estava me causando tremores, eu não conseguia sequer me concentrar em mais nada. LOU-CU-RA total e absurda, sabem? depois eu vi que deu 22h, 22:30, 23 horas e nada de eles chegarem, aí os pensamentos malucos migraram pra idéia de que tinha acontecido alguma desgraça. e aí o pânico ficou numa intensidade insuportável. queria vestir uma roupa e sair correndo dali sabe deus pra onde, andava de um lado pra outro, tremendo, sentindo dores físicas, falta de ar, MEU DEUS. é podre, cara. pra completar, meu namorado tinha deixado o celular. e o residencial começou a tocar seguidamente. pronto. era desgraça na certa mesmo. um lado do meu cérebro sabia muito bem que eu tava totalmente fora de mim, fora da realidade e que aqueles pensamentos eram absurdos. ficava repetindo pra mim mesma: "pára com isso, d.d., você tá ficando maluca!" mas o outro lado do cérebro não conseguia absorver nada daquilo e só conseguia se entregar ao pânico sem motivo. meu senso crítico de que aquilo não fazia sentido algum evaporou totalmente. não tive forças nem pra atender a porcaria do telefone.
como que por mão de alguém que deve gostar de mim, no auge do descontrole, o celular tocou, e era meu namorado, dizendo que estavam todos numa pizzaria ali perto e me chamando pra ir lá. ouvir a voz dele me fez desabar em um alívio que me tirou até a força das pernas. eu só consegui balbuciar que não estava com vontade, e agradeci. eu me vi em uma situação tão ridícula que sequer consegui acreditar que aquele poço de nervos descontrolados era eu.
quando eles chegaram, trouxeram pizza pra mim. eu não estava com fome nenhuma, muito menos com vontade de comer, mas acabei comendo um pedaço mínimo. mecanicamente, sem sentir o gosto de absolutamente nada. vomitei tudo depois.
não consegui normalizar depois da ligação. nem depois de eles chegarem. eu não normalizei até a hora de dormir. estava num estado de inércia terrível. meu namorado, se arrumando pra dormir, falava comigo sobre umas novidades a respeito de um negócio que ele viu na internet e eu só conseguia olhar pra cara dele e balançar a cabeça vez ou outra pra ele não perceber que eu sequer fazia a menor idéia sobre o que ele estava falando. era como se meu só meu corpo estivesse ali. minha alma estava desligada.
não estava suportando estar na minha própria pele, e eu queria muito pedir ajuda, e ninguém melhor do que ele. mas quem disse que eu consegui? queria falar tudo: dos ataques de pânico, da depressão, do TA, mas o máximo que consegui foi, no colo dele, já na hora de dormir, dizer: "eu acho que preciso de um psicólogo".
ele se ofereceu pra me ouvir, como sempre ("o entorno é ótimo"), mas eu travei, não consegui falar nada, e claro, isso deixou ele chateado ("sou eu quem não presta"). eu tenho certeza que ele pensa que eu sou tão fechada porque me falta confiança nele. mas é justamente o contrário. eu simplesmente não consigo me abrir com ninguém, tenho um problema terrível pra falar sobre mim mesma. fico pensando se eu for a um psicólogo não sei nem como vai ser porque se eu não consigo falar da minha vida pra pessoa mais próxima de mim, imagina pra um estranho.
eu me sinto até incomodada de falar essas coisas aqui no blog, apesar de ter consciência de que nunca na minha vida vi alguém com TA que não tivesse lá suas mazelas psicológicas. sei lá, acho de tirar o sono que alguém me conheça de verdade, que saiba a fundo a pessoa complicada e horrível que eu sou.
mas eu realmente preciso de ajuda, cara. eu preciso. tá foda.
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meu peso fica oscilando entre 76 e 79. hunf. chato, mas pra quem não tá conseguindo se focar na dieta, isso até não é de todo ruim, eu pensei que estaria com uns 83 pra ser otimista até. certeza que é o ECA, porque na terça, depois de 3 dias sem tomar eu estava com 79, e hoje já voltei pra 77. morrendo, fodida, mas pelo menos é uma segurança que eu tenho.
eu não sei o que vou fazer, nem como fazer. e sinceramente, me custa pensar nessas coisas agora. minha cabeça está mais preocupada em não enlouquecer de vez. o corpo pode esperar um pouco.
mas não muito.
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Poxa linda, que coisa! Nem sei como te ajudar!
ResponderExcluirSó sei te dizer que tá na hora de você procurar ajuda de um profissional mesmo!
É algo muito importante, para você ficar feliz consigo mesma! Com o seu amor...com as pessoas em volta!
Saiba que pode contar comigo!
Cheirinho amor, fica bem!
eu fiquei triste que você sumiu...
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